Viver é como transportar abóbora

🍂Começo este texto contando uma parábola que ouvi de um professor no meu tempo de Teologia na Faculdade Dehoniana. Milton Shwantes foi um dos meus melhores professores. Muito estudioso, rico em experiências pastorais, era além de professor de Bíblia, um grande nome entre os teólogos brasileiros e também da América Latina.

Mas não é sobre sua biografia que quero falar. Até por que se ele estivesse vivo não iria gostar de ouvir tantos elogios, devido à sua grande humildade, afinal, nunca foi de ficar se esnobando pelos títulos que tinha. Então, ele, certa vez, contou-nos uma história na sala de aula, e na sua narração ele falou uma frase que eu nunca me esqueci.

Ele disse o seguinte dito popular: Um motorista assim que carrega de abóboras o seu caminhão, num primeiro momento, assim que começa a viagem e pega a estrada, ele vai se sentir meio inseguro e andará numa velocidade menor – principalmente se a estrada for esburacada (o que é muito comum no Brasil, rs). Viajará com mais atenção aos buracos, pois está correndo o risco de alguma abóbora rolar e cair do caminhão.

Esse primeiro momento é assim mesmo, mas depois de andado alguns quilômetros ele ficará mais seguro e poderá aumentar um pouco mais a velocidade por que sabe que as abóboras já se agasalharam com as bacadas do percurso (bacada = quando o carro cai no buraco). Ou seja, as bacadas ajudam as abóboras se encaixarem cada uma em seu lugar se travando mutuamente. Com a carga travada, portanto, a viagem fica menos tensa e o percurso se torna mais fácil de se trafegar. Com o passar das horas, o motorista já nem se aterá mais às primeiras preocupações.

Então, eu aprendi muito com essa história das abóboras. Enquanto o professor narrava eu pensava na minha vida, que é assim mesmo que acontece. O início de um projeto é semelhante a um caminhão carregado de abóbora, pronto pra pegar a estrada. No início a gente sente medo e insegurança, tudo parece meio confuso, caótico e obscuro.

É um aprendizado que nunca me esqueci. Todas as vezes que eu passo por um problema, recordo as palavras do meu professor falando sobre a carga de abóboras… E assim vou pensando nas palavras dele, como se estivesse dizendo para mim: se acalme, o caminhão nem pegou a estrada ainda, não se desespere antes da viagem. E quando as abóboras parecem soltas, se acalme, pois com a viagem elas vão se ajeitando e o caminho vai se tornando mais seguro e até divertido…🍂

Sobre Pe. Ivanilton,msj

Sou mineiro, natural de Águas Formosas, pequena cidade situada na região nordeste do estado. Desde muito cedo, gosto de trabalhar com minhas próprias mãos. Amo a cultura mineira, gosto do meu povo, das cantigas de roda e das famosas comidas típicas que só se encontram em Minas. Somente aos 18 anos de idade é que saí de casa, entrei para o Seminário do Instituto Missionário São José. Em Aparecida do Taboado, MS, recebi a formação propedêutica. Terminado este período, mudei-me para Taubaté, SP, onde cursei três anos de Filosofia, na UNITAU (Universidade de Taubaté) e, logo após, iniciei o curso de Teologia, pela faculdade Dehoniana. Passados quatro anos de estudos teológicos, fui ordenado Diácono, pelo Instituto Missionário São José, do qual sou membro. Em julho de 2009 fui ordenado Padre e, hoje, exerço o meu ministério na Paróquia Santa Rita de Cássia em Pontalina/GO. Creio que a vida é o dom mais precioso que Deus, gratuitamente nos presenteou. Por isso, carrego em meu coração, o desejo de viver seguindo os pés do Mestre dos mestres, Jesus de Nazaré. O lema que me inspira e ilumina a minha missão é: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham plenamente" (cf.: Jo 10,10b).

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