Vencendo a morte

QUEIRAMOS SEMPRE A VIDA…

A vida sempre sobreviverá para quem dela cuida...

Aliás, em nossa cultura moderna fala-se muito em super-homem, aquele que jamais poderá perder uma batalha, só lhe é permitido vencer.  E isso reflete em nossa vida real… o outro não pode errar, perder é inaceitável. Dessa forma, aos poucos o ser humano vai deixando de ser humano na tentativa de ser herói.  Daí, as conseqüências são a decepção e o desespero. Então, é necessário perceber-se como um homem e não como um super-homem.

Hoje, como em todos os tempos, a felicidade é buscada e desejada rotineiramente. Por todo o canto se fala da felicidade. Ser feliz é o que todos querem, porém, o que mais nos impossibilita um verdadeiro encontro com a felicidade é justamente o modo como a enxergamos. Vemos a felicidade como algo muito distante de nossas possibilidades. Projetamos sonhos e metas de felicidade que são impossíveis de serem realizados, e isso nos torna pessoas tristes e infelizes por demais.

Em prol desta auto-realização chamada felicidade tem-se se sacrificado vidas. Maximiza a tal ponto a felicidade que ela se torna algo intocável, distante de ser experimentada. Diante das exigências da vida, no desejo de ser feliz, sentimos obrigados a vencer e pressionados a viver como heróis – nos mascaramos, nos revestimos de uma armadura aparentemente forte, e não consideramos as nossas fraquezas, porém, por dentro somos fracos, choramos, escondemos um humano cheio de sombras e defeitos. Pois, o que mais nos importa é que vençamos. Ao nosso superego o que mais importa é que sejamos vitoriosos e conquistemos o tesouro que almejamos.

Daí, vemo-nos sobrecarregados sob o peso de nossas próprias escolhas – escolhas que fizemos sem considerar o que somos. Por isso, a decepção vem ao nosso encontro com total intensidade. Descontroladamente agimos e reagimos contra os outros, e tantas vezes nos tornamos insuportáveis a nós mesmos, exigindo aquilo que não podemos dar e exigindo que as pessoas sejam como somos.

As nossas decepções vão acumulando sobremaneira e, aos poucos nos tornamos prisioneiros de nós mesmos… prisioneiros das escolhas que um dia fizemos. Tudo isso nos leva ao desespero.

Assim sendo, podemos ver que o sofrimento que hoje experimentamos não surge em nossa vida como mero acaso, mas é fruto de opções passadas, é resquício de relações mal resolvidas e de questões conflituosas que desenvolvemos em tempos idos. Então, para que não cheguemos ao nível extremo de nosso desespero é preciso que saibamos viver cada instante de nossa vida com total liberdade interior, sem nos apegar àquilo que é desnecessário ou insignificante. Ou seja, é necessário que superemos a criança que existe em nós e assumamos com maturidade a nossa história para que, mais cedo ou mais tarde, o nosso castelo não desabe e tudo vire ruína. Os sinais freqüentes desta destruição são, conseqüentemente, a depressão e, por fim, o processo de mortificação do ser.

As mortes que presenciamos em nosso atual cenário social na maioria das vezes são conseqüentes do modo de vida assumido num determinado período da existência. Dessa forma, a morte não surge como uma surpresa, mas sim, como resultado de um processo de mortificação iniciado pelo próprio indivíduo durante a sua vida. A experiência de morte é, para muita gente, um modo de superação de seus conflitos. Isto é, a pessoa já não consegue ter controle de sua situação… ela se vê impotente diante do problema que experimenta, daí ela pensa ser a morte o melhor remédio para o seu sofrimento. Ela enxerga o morrer como caminho de libertação.

Isso nos preocupa muito porque não é normal usar da liberdade para tirar a própria vida. Aliás, autodestruir-se como caminho de libertação é sinal de que tal consciência humana está passando por uma forte crise existencial, cuja raiz se encontra justamente na falta de realização da pessoa. Isso é um grito de alerta que necessita de consideração. A população não pode tapar os olhos para esta realidade. Podemos perceber que aos poucos esta cultura da autodestruição está virando normalidade em nosso meio. O que deve ser tratado como inadmissível.  Em hipótese alguma devemos nos deixar acostumar com tais comportamentos.

Portanto, é preciso que semeemos sementes de esperança nos canteiros de nossa sociedade para que a vida brote e sobreviva com força e beleza. Como dizia o poeta: Eu sei que a vida devia ser bem melhor/ e será/ mas isso não impede que eu repita/ a vida é bonita/ é bonita/. Que apesar dos desencontros que a vida possui, viver seja sempre o nosso lema. Que apesar de nossos medos e fracassos: queiramos sempre a vida!

Pe. Ivanilton Ferreira da Silva,msj

Sobre Pe. Ivanilton,msj

Sou mineiro, natural de Águas Formosas, pequena cidade situada na região nordeste do estado. Desde muito cedo, gosto de trabalhar com minhas próprias mãos. Amo a cultura mineira, gosto do meu povo, das cantigas de roda e das famosas comidas típicas que só se encontram em Minas. Somente aos 18 anos de idade é que saí de casa, entrei para o Seminário do Instituto Missionário São José. Em Aparecida do Taboado, MS, recebi a formação propedêutica. Terminado este período, mudei-me para Taubaté, SP, onde cursei três anos de Filosofia, na UNITAU (Universidade de Taubaté) e, logo após, iniciei o curso de Teologia, pela faculdade Dehoniana. Passados quatro anos de estudos teológicos, fui ordenado Diácono, pelo Instituto Missionário São José, do qual sou membro. Em julho de 2009 fui ordenado Padre e, hoje, exerço o meu ministério na Paróquia Santa Rita de Cássia em Pontalina/GO. Creio que a vida é o dom mais precioso que Deus, gratuitamente nos presenteou. Por isso, carrego em meu coração, o desejo de viver seguindo os pés do Mestre dos mestres, Jesus de Nazaré. O lema que me inspira e ilumina a minha missão é: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham plenamente" (cf.: Jo 10,10b).

2 comentários sobre “Vencendo a morte

  1. Sua Benção Padre!!

    Amei seu texto. Retratou de uma forma simples, mas de maneira essencial, para que todos e principalmente os fragilizados, que a vida ela é Bonita!! E que devemos amar mais a si mesmo e ao nosso proximo!
    Parabéns!!
    E obrigada!

  2. É possível aprender com as quedas o segredo do sucesso assim como é possível passar a vida inteira a lamuriar a decepção e o desencanto. E você, o que escolhe, o aprendizado e o recomeço ou a queda e a desistência?

    Leia mais…

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