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Ruas vazias

Rua VaziaNem sempre é fácil compreender certas coisas do cotidiano, situações aparentemente simples, mas simultaneamente muito complexas. O Silêncio tomou o meu coração quando vi as ruas vazias…

As facilidades da modernidade têm distanciado as pessoas da convivência fora de casa, nas ruas da cidade. Nos mais diversos espaços que antes encontrava-se tantos e tantas para o bate papo, a dança de rua, as brincadeiras de roda, agora estão vazios de presenças…

No bairro onde nasci, aprendi muito sobre o valor dos amigos, da socialização, assim como o gosto pelas coisas que marcaram a minha adolescência – neste mesmo bairro atualmente não se escutam mais altos risos e nem as vozes de crianças brincando de esconde-esconde, pique-bandeira, pé-na-lata, etc… tudo mudou! Em alguns momentos, como hoje, posso dizer com toda certeza, que triste mudança!

Claro que outrora a vida era vivida de modo muito diferente: Davam-se valor a detalhes que hoje se parecem ultrapassados, sem importância. Tudo está se transformando com rapidez, desde o mundo das relações humanas aos setores da tecnologia e da informática…

A categoria tempo recebeu uma tonalidade mais preocupante, aliás, para bilhões de pessoas se tornou um problema: Falta tempo. A escassez de tempo atualmente é a resposta que se usa como justificativa para todos ou quase todos os problemas humanos.

Triste cenário este que vivemos se pensarmos na perspectiva do humano. É difícil pensar um mundo sem informática, sem internet, sem celular, sem o virtual. Parece que tudo devera girar em torno disso, destas sofisticadas ferramentas de interação e relação pessoal e interpessoal.

Mas, será mesmo que estamos no limite? Não há mais volta? Será que ainda podemos trazer as nossas crianças para as ruas da cidade e expulsar as trevas da solidão, o silencio das vozes humanas? Será que hoje não é dia de repensarmos o futuro de nossas cantigas de roda e as brincadeiras alegres e dinâmicas que na ruazinha da cidade do interior sempre foi o cartão postal? É tempo de recordar os bons momentos que marcaram nossas raízes, nossa infância. Ainda há tempo de recuperar o tempo!