Ser seleto

Selecionar mais é preciso nos dias de hoje. São tantas opções de tudo, que muitas vezes parecemos confusos sem saber o que eleger pra executar.

É assim que o ser humano se vê na sociedade moderna. Muitas informações, notícias, opções de entretenimento, tudo isso na palma da mão, no celular, na telinha do computador ou tv.

Estão, cada dia mais, inventando novas maneiras de se entreter. Isso tudo faz parte da sociedade do espetáculo tão bem falada por Adorno. Por isso, é preciso ser seleto.

Todo este turbilhão de coisas gera um vazio nas pessoas por que não conseguem descer ao profundo e passam a caminhar somente pela superfície dos fatos e acontecimentos.

Mais uma vez, é preciso ser seleto e se ater somente ao suficiente…

 

Quero só o suficiente

Somente o suficiente. Nada mais.

Tudo que é demais, pode não ser bom.

Se o olhar estiver sempre voltado para o todo, pode ser que os detalhes escondidos não sejam percebidos.

Mas se voltamos a atenção para o relevante e tão somente isto, é provável que o resultado será mais pleno de inteireza.

É assim que quero começar esta semana, com os olhos fixos no essencial, nada mais.  Esta é a minha meta pra hoje, amanhã e depois… e depois espero colher somente o suficiente. Não mais que isto.

 

Sonhos da minha infância

Sonhar é dom. É uma das mais lindas possibilidades do ser humano.  Somente homem e mulher podem sonhar. Esta capacidade é puro dom de Deus. Sonhar é força motora pra quem está estacionado no tempo.

Pra sustentar o meu texto, vamos procurar aqui no meu Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa a definição que traz da palavra sonhar. Veja o significado que encontrei. Sonhar: Ter sonhos; dormir sonhando; entregar-se a fantasias e devaneios… supor; imaginar; prever. Não é uma má definição, eu gostei. Mas, achei esta definição muito básica. Ao invés do verbo, pesquisemos o substantivo sonho. Aqui no mesmo dicionário diz assim:

Sonho: conjunto de ideias e imagens que se apresentam ao espírito durante o sono; Utopia; ficção; fantasia, visão; aspiração; coisa fútil e transitória; vivo desejo; biscoito de farinha e ovos, frito em azeite ou manteiga e passado depois por calda de açúcar.

Hum, acho que esta última definição é a melhor, principalmente quando define o sonho como um biscoito feito de farinha e ovos. Não sei o porquê, mas comida sempre gera pausas no pensamento. A gente começa a refletir, aparece não sei de onde aquele cheirinho de comida, o pensamento distrai e voa como pássaro… voa longe, volta a infância, à cozinha de casa. É bem isso que estou fazendo agora, pensando na minha mãe fazendo sonhos pra eu e meus irmãos vender na porta da escola. isso aconteceu quando eu tinha uns dez anos. Exatamente, eu comecei a trabalhar muito novo. Aliás, não somente eu, mas todos os meus irmãos iniciamos cedo a luta pela sobrevivência. E os meus pais não tinham receio de preencher o nosso tempo com muito serviço. Ufa!…

Assim que eu saía da escola, mal chegava em casa, comia rapidinho e mãos à obra. Bacia sobre a mesa, pacote de trigo aberto, margarina delicia destampada, lata de oleo aberta e ali começava a fábrica de sonhos… Me emociono de lembrar. Caro leitor, não sei se você acredita, mas estou lacrimejando ao narrar este episódio, de tanta emoção. Sabe porquê? Por que não era simplesmente fazer sonhos por fazer. Era a nossa sobrevivência. Era a aula de culinária, a receita dos sonhos que estava sendo ensinada pra nunca mais nos esquecermos; Era a minha mãe nos ensinando sobre os sonhos a partir da confecção do sonho. Sabe, ali enquanto ela colocava a mão na massa, ensinava-nos os segredos mais bonitos da vida. Segredos que jamais nos esqueceremos. Fazer sonho era alimentar a esperança, de um dia melhorar de vida. Enquanto colocava o bolo de maça na gordura quente na panela, os respingos de óleo quente tocavam a pele e queimava fazendo bolhas que em poucos minutos avermelhavam queimando de dor… Mas a gente não ligava, logo logo passava e mais uma bolinha de massa era lançado na panela quente ao fogo até fritar todos os vinte ou trinta que logo mais eram colocados na bandeja e levados pra vender no recreio da escola, às 15h…  Uma experiência que jamais esquecerei. Pois foi ali que aprendi o que é sonhar sem dinheiro e sem pressa. Na lentidão de um tempo, a façanha pela sobrevivência através do simples gesto de fazer sonho… Ufaaa!

Eu queria falar do sonho numa outra perspectiva, mas fica pra outra oportunidade pois por hoje a saudade não deixou eu ir além das  recordações da minha infância…