O novo nos assusta

O novo: caminho de aprimoramento do ser 

  Em hipótese alguma enraizar-se pode ser considerado algo ruim, aliás, é bom que pisemos firmes onde estamos. Todavia, o importante não é nem ficar na inconstância, tampouco na estagnação total. Há sempre um equilíbrio, cujo valor, é imprescindível para que alcancemos amadurecimento naquilo que fazemos e/ou que somos.  Uma coisa é certa: o homem sente-se amedrontado diante das mudanças que precisa fazer.

O novo é assustador, demora-se muito tempo para que seja aceito.  Gasta-se  muita energia até que se acostume com a novidade. Não é anormal o sentimento de medo, de insegurança diante do inédito. Entretanto, o desafio maior, que precisa ser vencido, é justamente o de assumir cada sentimento de modo corajoso, na tentativa de descobrir o tesouro que nos é apresentado.

Certamente haverá muitas dificuldades no primeiro encontro com o objeto novo, pois o mesmo possui também, mistérios, sombras e, por isso nos assusta. Dai é preciso que aproximemo-nos do novo, escutemo-lo, admiremo-lo, e nos deixemos ser tocados por ele, até que se crie uma relação de proximidade e amizade. Assim, vamos crescendo, aprendendo novos valores, e a nossa vida se inova… e experimentamos a sensação de estarmos novamente recomeçando o nosso existir. Não é fácil experimentar o novo.

Um jovem, por exemplo, quando está iniciando sua vida profissional, sofre terrivelmente – porque tudo lhe soa novo: a profissão, colegas de trabalho, as diferenças de personalidade, temperamento de cada um… Obviamente, as novas regras, a submissão a um novo líder com gerência antagônica à do jovem, fazem-no inseguro, quem sabe, descontente e sem ânimo. Porém, somente com o passar do tempo é que perceberá os valores e ganhos adquiridos nesta nova experiência.

Do mesmo modo, assim acontece com cada um de nós em nosso dia-a-dia. Na empresa, precisamos relacionar com o novo na pessoa: do patrão, do colega de setor – com as novas regras e estratégias de administração, etc. Os funcionários, assim como o patrão, o gerente e todos os que constituem a empresa, precisam se abrir ao novo, se respeitar mutuamente, e criar meios que os ajudem a quebrar as barreiras que os separam e impossibilitam de produzir com qualidade.

Para que a comunidade, empresarial, social, escolar ou religiosa cresça e produza frutos de qualidade se faz necessário quebrar as barreiras do medo, da insegurança, da insensibilidade e do desrespeito ao outro. É preciso sinceridade, abertura ao novo e força de vontade para uma verdadeira renovação pessoal e grupal – estes são requisitos indispensáveis para que haja uma enriquecedora comunidade de pessoas que se comprometem reciprocamente em prol do objetivo principal a que são chamados a realizar.

Portanto, como podemos perceber, não é fácil relacionar com o novo. Mas, não é impossível, basta que cada um seja responsável pela parte que lhe cabe, e faça-a com amor e dedicação – só assim, todo grupo poderá experimentar bons resultados. Que Deus nos ajude a vencer os nossos medos, principalmente o medo do novo. Que Deus nos ajude a ser pessoas desapegadas das coisas, experiências e hábitos do passado – e nos dê a Graça de estarmos abertos à renovação de nossa vida. Enfim, que saibamos lidar com o novo como caminho de transformação e aprimoramento de nosso ser, viver e conviver.

Pe. Ivanilton Ferreira da Silva, msj

 

Sobre Pe. Ivanilton,msj

Sou mineiro, natural de Águas Formosas, pequena cidade situada na região nordeste do estado. Desde muito cedo, gosto de trabalhar com minhas próprias mãos. Amo a cultura mineira, gosto do meu povo, das cantigas de roda e das famosas comidas típicas que só se encontram em Minas. Somente aos 18 anos de idade é que saí de casa, entrei para o Seminário do Instituto Missionário São José. Em Aparecida do Taboado, MS, recebi a formação propedêutica. Terminado este período, mudei-me para Taubaté, SP, onde cursei três anos de Filosofia, na UNITAU (Universidade de Taubaté) e, logo após, iniciei o curso de Teologia, pela faculdade Dehoniana. Passados quatro anos de estudos teológicos, fui ordenado Diácono, pelo Instituto Missionário São José, do qual sou membro. Em julho de 2009 fui ordenado Padre e, hoje, exerço o meu ministério na Paróquia Santa Rita de Cássia em Pontalina/GO. Creio que a vida é o dom mais precioso que Deus, gratuitamente nos presenteou. Por isso, carrego em meu coração, o desejo de viver seguindo os pés do Mestre dos mestres, Jesus de Nazaré. O lema que me inspira e ilumina a minha missão é: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham plenamente" (cf.: Jo 10,10b).

3 comentários sobre “O novo nos assusta

  1. Linda a mensagem. Realmente o novo sempre nos assusta, mas c/ Fé sonseguiremos vencer o medo. bjs c/carinho.

  2. Como sofri tentando implantar coisas novas, ideias novas, para renovar a comunidade onde fui coordenador por tres anos. As pessoas parecem gostar de viver com o que ja estao acostumadas. Mudar pra que, se assim sempre deu certo? Coisas do tipo, isso nao pode, do jeito que esta ta bom. Sera medo ou inseguranca diante do novo. Bom, gostei muito dessa materia. Que Deus o ilumine sempre, mais e mais, pra que continue escrevendo artigos maravilhosos como esse.

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