Mês Vocacional

Deus nos chama… Deus nos ama!

Pe. Ivanilton,msj

Nos mais diversos cenários da sociedade, em todos os tempos, a todos os povos, raças e culturas, Deus se revela chamando seus filhos a colaborar no seu plano de salvação. A voz de Deus ecoa em todos os cantos desta terra, fala à humanidade de modo simples e com clareza. Ele se apresenta solidário e próximo: preocupado com a existência de cada filho seu. O chamado não é algo espetaculoso… é proposta simples que exige resposta simples.

Toda vocação nasce a partir de um encontro entre o falar de Deus e o ouvir do homem. Fruto deste encontro é a resposta livre daquele que escuta a voz. Não pode haver outro caminho de seguimento a Cristo senão o do convite de Deus e a resposta humana.

Deus não obriga os seus filhos a ser aquilo que estes não desejam. Claro que se Deus quisesse poderia impor a sua vontade por sobre as razões do homem, porém, Ele não ignora a nossa liberdade. Ao contrário, entra em nossa história, conhece-nos, caminha conosco, bebe de nossa água, ouve o nosso lamento, alimenta-nos para a vida, abre os nossos olhos e ouvidos para ver e escutar com o coração a proposta que tem para cada um de nós. Ou seja, a vocação surge a partir de um encontro, de uma convivência entre nós e Deus.

Interessante que, se analisarmos as experiências vocacionais presentes nos textos bíblicos, veremos o quanto as mesmas estão repletas de sinais de intimidade entre Aquele que chama e aquele que é chamado. Podemos notar que há uma relação afetuosa, por parte dos dois interlocutores, Deus e o homem, no processo de chamamento vocacional. Não são estranhos entre si, tampouco desconhecidos um para com o outro. Talvez, não seja tão visível esta correlação de intimidade entre Aquele e este, pois, muitas vezes compreendemos esta comunhão somente através de gestos conscientes e atitudes objetivas de modo especial por parte do homem – como, por exemplo, no jeito deste expressar sobre o Ser de Deus.

Há pessoas que dizem não possuir qualquer segredo na relação com o Senhor; dizem não possuir relação alguma de maneira direta com Deus e, por isso, repetem incessantemente que nunca ouviram o Senhor falar, nunca presenciaram revelação vocacional espiritual. Claro que, aparentemente ou diretamente isso parece uma tese que soa a mais pura verdade, quanto mais quando a pessoa não se envolve concretamente com situações e compromissos próprios de uma comunidade de fé.

Entretanto, não podemos fechar as experiências de chamado de Deus a um padrão e/ou grupo cultural-comunitário específico. Nenhuma comunidade pode se achar detentora dos ecos da voz de Deus. O Espírito sopra onde quer… assim diz o texto bíblico.

Destarte, Deus nos chama todos os dias para um compromisso, um serviço de amor a Ele na pessoa dos seus filhos. Ninguém está isento deste chamado. Todos são destinatários da revelação vocacional de Deus. Podem até não aceitar o convite, porem, dizer que não escutou o chamado não é uma verdade. Neste sentido, fica-nos uma pergunta: Como estamos ouvindo a voz de Deus? E como estamos respondendo a esta voz?

Enfim, Deus nos chama com voz de pastor. E nós, somos convidados a escutá-lo como boas ovelhas. Somos cuidados por Deus, Ele nos chama para a vida, lava as nossas feridas e nos aquece em tempo frio. Conversa conosco: tanto fala ao nosso ouvido quanto escuta a nossa voz – se torna não somente pastor nosso de cada dia, mas amigo, companheiro e mestre de todas as horas. Nenhuma ovelha é esquecida, todas são chamadas a viver com o Pastor.

No sentido real da vida, homens e mulheres são chamados a assumir não somente o papel e a conduta de discípulos-ovelhas, mas a de missionários-pastores. Todos são chamados a serem zeladores da vida, mestres na arte do cuidado, anunciadores da Boa Nova, comprometidos com o redil comum que é Reino de Deus. Somos chamados todos os dias a ser operários na messe do Senhor. Jesus de Nazaré continua sua caminhada em nosso meio, convidando-nos a segui-lo servindo-o na vida de nossos irmãos e irmãs. Deus nos Chama…

Sobre Pe. Ivanilton,msj

Sou mineiro, natural de Águas Formosas, pequena cidade situada na região nordeste do estado. Desde muito cedo, gosto de trabalhar com minhas próprias mãos. Amo a cultura mineira, gosto do meu povo, das cantigas de roda e das famosas comidas típicas que só se encontram em Minas. Somente aos 18 anos de idade é que saí de casa, entrei para o Seminário do Instituto Missionário São José. Em Aparecida do Taboado, MS, recebi a formação propedêutica. Terminado este período, mudei-me para Taubaté, SP, onde cursei três anos de Filosofia, na UNITAU (Universidade de Taubaté) e, logo após, iniciei o curso de Teologia, pela faculdade Dehoniana. Passados quatro anos de estudos teológicos, fui ordenado Diácono, pelo Instituto Missionário São José, do qual sou membro. Em julho de 2009 fui ordenado Padre e, hoje, exerço o meu ministério na Paróquia Santa Rita de Cássia em Pontalina/GO. Creio que a vida é o dom mais precioso que Deus, gratuitamente nos presenteou. Por isso, carrego em meu coração, o desejo de viver seguindo os pés do Mestre dos mestres, Jesus de Nazaré. O lema que me inspira e ilumina a minha missão é: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham plenamente" (cf.: Jo 10,10b).

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