Felicidade foi-se embora

Chamam isso de felicidade – será mesmo?

Atualmente venho pensando sobre alguns elementos de nosso cotidiano que nos acompanham rotineiramente. Tenho observado o quanto a sociedade anseia pela felicidade. Faz-se o possível e até o impossível para degustar de momentos felizes… Tenho percebido também, que estar feliz, para muitos, significa um mero sentimento de prazer (prazer desregrado)… Isto é, para muitos, felicidade e prazer estão intimamente interligados.

O que me preocupa profundamente é a incompreensão do verdadeiro sentido da felicidade. Parece que há uma ansiedade por momentos felizes, cuja motivação se encontra enraizada na busca desmedida de prazer. Ou seja, ser feliz a partir do imediato.  Confesso que creio ser impossível alguém ser feliz plenamente nesta terra. Isso é óbvio. Sei que a vida humana pode nos oferecer fragmentos de felicidade, e que, portanto, jamais a teremos totalmente. Todavia, a felicidade não é o que se tem compreendido por aí – um mero entretenimento, fugaz, sem limites e sem sentido… aglomerado de frenéticos. A felicidade não é desrespeito e, tampouco, alegoria carnavalesca serpenteformizada…

Na verdade, o que gostaria de expressar é justamente a descrição do que tenho observado, paulatinamente, em nosso cenário social acerca da busca de realização por parte das pessoas. Vejo que investe-se tanto em algo que aparentemente é belo, mas no fundo, no mais profundo, é feio, assombroso e sem graça. Somente no momento em que se está envolvido é que se sente bem, logo após, tudo passa, aliás, nem tudo, pois, as marcas ficam. As consequências ficam no corpo e na mente tanto de quem tocou quanto de quem dançou, sem falar dos telespectadores…

Enquanto se está vivendo o momento de festa, tudo é belo, é bonito, encantador: a roupa, o visual, a maquiagem, os detalhes fisicos/ estéticos… o ambiente é camuflado por cores e sons – e gritantes vozes eufóricas acompanhadas de dançantes batidões, à moda da cultura vigente: Fome e sede que são saciados sem sentir o sabor: Saciamento instintivo. Tudo está consumado! Neste momento e cenário: “Tudo é bom, felicidade sem fim, que deveria durar para sempre” (como diz alguns, entre um gole e outro)!

No dia seguinte, depois da festança, depois das diversas danças, a andança sofrida recomeça… O descompasso existencial ressurge e a rotina reaparece nua e crua, cuja desarmonia outrora abafada, agora se vê estampada na face e nas palavras ressacadas próprias do “logo após”. Tudo passou, a alegria, os encontros, o prazer, a banda passou e, aos bandos, todos se foram. A solidão voltou, o coração se vê novamente marcado por um “novo amor” (amor?) – sentimentos brotam: recordações,  tristeza,  arrependimento, vazio e decepção mesclados por diversas gotículas de lágrimas. Chamam isso de felicidade – será mesmo?

Enquanto a felicidade for buscada por estes caminhos, a infelicidade reinará em nosso meio… e nossos corações continuarão  sempre anestesiados, enquanto durar este tipo de amor.  Na sociedade do espetáculo, tudo gira em torno da festa e da distração. Tudo se resolve sob a força impostora e prazerosa do sensacionalismo e do sentimentalismo fugaz.

Nesta sociedade espetacular, a pseuda alegria se apresenta com veste encantadoras… Neste cenário cultural, tudo gira em torno do entretenimento: A vida se resume no momento presente, recheado de romantismo e descontração. Porém, para quem assiste, tudo não passa de poluição sonora e visual, seres anestesiados, caminhantes sem direção.

Chamam isso de felicidade – será mesmo?

Pe. Ivanilton,msj

Sobre Pe. Ivanilton,msj

Sou mineiro, natural de Águas Formosas, pequena cidade situada na região nordeste do estado. Desde muito cedo, gosto de trabalhar com minhas próprias mãos. Amo a cultura mineira, gosto do meu povo, das cantigas de roda e das famosas comidas típicas que só se encontram em Minas. Somente aos 18 anos de idade é que saí de casa, entrei para o Seminário do Instituto Missionário São José. Em Aparecida do Taboado, MS, recebi a formação propedêutica. Terminado este período, mudei-me para Taubaté, SP, onde cursei três anos de Filosofia, na UNITAU (Universidade de Taubaté) e, logo após, iniciei o curso de Teologia, pela faculdade Dehoniana. Passados quatro anos de estudos teológicos, fui ordenado Diácono, pelo Instituto Missionário São José, do qual sou membro. Em julho de 2009 fui ordenado Padre e, hoje, exerço o meu ministério na Paróquia Santa Rita de Cássia em Pontalina/GO. Creio que a vida é o dom mais precioso que Deus, gratuitamente nos presenteou. Por isso, carrego em meu coração, o desejo de viver seguindo os pés do Mestre dos mestres, Jesus de Nazaré. O lema que me inspira e ilumina a minha missão é: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham plenamente" (cf.: Jo 10,10b).

4 comentários sobre “Felicidade foi-se embora

  1. Sua Benção Padre!!
    Concordo com suas palavras. As pessoas invertem o sentido das coisas. Para mim a verdadeira felicidade vivemos ela constantantemente. Pois se temos uma vida com saúde, paz e vivenciando os ensinamentos de Jesus, estamos vivendo a felicidade. O que peço é que existe momentos de tristeza , de dificuldades, problemas…Momentos este que só devem fazer com que refletimos que vivemos a felicidade!
    Obrigada Padre pelos seus ensinamentos!!

  2. Nossa concordo em tudo o que vc disse. Percebo muito isto nas pessoas, e me incomoda muito..Sb é esta “felicidade imediata’ que se busca hj, que faz com que as pessoas se delisguem do concreto, do certo, do eterno…de Deus….É esta busca de imediatismo que destroi aquilo que Deus criou com tanto carinho: a familia. Pois como td tem de ser para agora e o que vale é sentir o prazer, a alegria momentanea, viver em uma familia se torna cada vez mais dificil. Que pena não é …Isto chega até a me assustar!

  3. Como é bom ver homens e mulheres que se consagram suas vidas ao Senhor JESUS.
    Você meu querido padre é um abençoado,vai em frente,DEUS te abençoe e te proteja.
    Abraços.

  4. É possível aprender com as quedas o segredo do sucesso assim como é possível passar a vida inteira a lamuriar a decepção e o desencanto. E você, o que escolhe, o aprendizado e o recomeço ou a queda e a desistência?

    Leia mais…

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