Kleyber – Noviço MSJ

Ser missionário hoje

Não podemos amar somente àqueles que nos fazem viver.

Aqueles que nos querem bem. Mas, temos que ir, além disso,

e buscar também aqueles que não estão pensando como nós,

que não estão caminhando conosco, e quem sabe, até contra nós.

(Hom. Pe Libânio Cicuto,msj. Enc. da missão 18/02/1996. S.Tomé, PR)

Todos nós batizados somos missionários, todos são chamados a ser “sal e luz no mundo” (MT 5, 13s). Pois afirma o Concilio Vaticano II que “a Igreja é por sua natureza missionária” (AG2). Assim cada batizado é chamado a ser missionário. O Documento de Aparecida reafirma esta missão. “Os fiéis leigos são “os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Eles realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo”. São “homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja”(DA 209).

O missionário é aquele que anuncia sendo, o que ele é, fala mais do que suas palavras, ele deve ser uma pessoa da escuta da Palavra e da Oração, pois, isto garantir-lhe-á perseverança na missão. O missionário é antes de tudo um mensageiro de Deus, não vai em nome próprio, mas é um instrumento de Deus, fala em nome de Deus. É aquele que está disposto a enfrentar barreiras, a dialogar, a aceitar o diferente, a ouvir não, a colocar-se na escuta do outro, a estar junto do povo “e familiarizem-se com as suas tradições nacionais e religiosas; façam assomar à luz, com alegria e respeito, as sementes do Verbo neles adormecidas; mas atendam, à transformação profunda que se opera entre os povos e trabalhem por que os homens do nosso tempo não dêem tanta importância à ciência e tecnologia do mundo moderno que se alheiem das coisas divinas, mas, antes pelo contrário, despertem para um desejo mais profundo da verdade e da caridade revelada por Deus” (AG 11). Mais que anunciar algo novo o missionário é chamado a ter uma presença diferenciada pelo modo de viver e estar junto ao povo, conhecer a realidade que está inserido e nunca se esquecer que deve anunciar o evangelho a partir da cultura e valores do povo, pois a evangelização se dá pela presença.

A evangelização é livre sem imposição, pois nos lembra o Decreto AD Gentes: “A Igreja proíbe severamente obrigar quem quer que seja a abraçar a fé, ou induzi-lo e atraí-lo com práticas indiscretas, do mesmo modo que reclama com vigor o direito de ninguém ser afastado da fé por meio de vexações iníquas” (AG 13). E uma das principais finalidades da evangelização é criar comunidades de fé, a conversão a Cristo também se da por aquilo que é próprio da cultura de cada povo. Por isso, o missionário deve estar atento para saber dar passos à frente e a voltar atrás quando necessário, conforme a cultura e realidade de cada povo.

Portanto, ser missionário sempre foi um desafio, contudo hoje mais ainda, se antes do Concilio Vaticano II o missionário ia como um desbravador da terra, do povo para onde era enviado, pós Concilio Vaticano II a Igreja muda sua visão e possui hoje ampla visão que é preciso mudar, pois aonde chega o missionário já existe um povo, uma cultura, um jeito de viver que precisa ser respeitado, é a partir da cultura e tradições desse povo que o missionário deve anunciar o Cristo que é o fundamento e a causa da missão.

Que Maria a Mãe do redentor seja para nós modelo de quem da o seu sim incondicional a Deus e possamos nós inspirados no exemplo de São José ser homens do silêncio e da prudência para saber acolher em nosso coração os sinais que o Espírito Santo nos inspira para bem realizar a missão que somos chamados a realizar com fidelidade enquanto missionários de São José de “Ir aonde a Igreja necessitar de nós”.

Espiritualidade missionária

É necessário formar os discípulos em uma espiritualidade da ação missionária, que se baseia na docilidade ao impulso do Espírito, a sua potência de vida que mobiliza e transfigura todas as dimensões da existência. Não é uma experiência que se limita aos espaços privados da devoção, mas que procura penetra-lo completamente com seu fogo e sua vida. O discípulo e missionário, movido pelo estímulo e ardor que provêm do Espírito, aprende a expressa-lo no trabalho, no diálogo, no serviço e na missão cotidiana.

(DA284)

Falar de espiritualidade é algo um pouco complexo, pois é uma experiência de vida difícil às vezes de ser descrita, mas podemos começar nos perguntando o que é espiritualidade? Podemos responder que é o que nos identifica, como cristãos, como membro de uma determinada comunidade, de um determinado grupo, e assim por diante. Sempre que falamos de espiritualidade nos remetemos à identidade de alguém em relação a um modo de si viver, de ser… . Ficamos aqui com o que para nós é a única: A espiritualidade cristã, que tem como fonte e inspiração o próprio Jesus Cristo, e é uma espiritualidade essencialmente comunitária, mas que nos leva ao cultivo da oração pessoal que nos fortalece e incentiva a oração comunitária que é linha mestra da espiritualidade cristã. E uma de suas características que se manifesta bem missionária é a que nos une ao cosmo…, nos fazendo estar em comunhão com toda a criação, no respeito à cultura, ao jeito de ser de cada povo. Aqui está uma característica a qual deve impregnar-se o missionário, saber acolher cada povo nas suas tradições e cultura que são os traços que os identifica enquanto aquele povo.

A espiritualidade diz respeito a uma experiência de fé. A espiritualidade missionária deve sustentar-se na escuta da Palavra de Deus, na oração comunitária e pessoal – pois, as questões do mundo são questões do missionário, tudo que envolve a realidade humana é questão da missão. O missionário deve buscar os mais necessitados, estar disposto a enfrentar os desafios da missão, da evangelização, da Igreja, ele é um colaborador da missão sua passagem é transitória, a dimensão da cruz é muito presente na espiritualidade missionária “Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz, cada dia, e siga-me” (Lc 9,23). É questão de opção, se si quer ser missionário, seja capaz de abraçar a cruz, sem a qual não há missão, e abraçá-la como conseqüência da opção, é enfrentar os desafios sem lamentações, mais com coragem e com a certeza de que é um colaborador da mese do Senhor.

O missionário deve ter uma espiritualidade que o identifica como tal. Pois ele é consagrado para ser livre, ser desprendido, para estar à disposição da Igreja, da evangelização, do instituto… . Na particularidade enquanto missionários de São José assim dizem nossas constituições: “Seja o Missionário de São José, um homem de fé viva, esperança, caridade, oração, testemunho, espírito de sacrifício e de pobreza evangélica para em tudo encarnar o Evangelho em sua vida e para melhor testemunhar aquilo que anuncia” (Const. IMSJ 19).

Mas, como batizados todos somos chamados a impregnar-se do espírito missionário para que realmente sejamos discípulos e missionários de Jesus Cristo como nos fala o Documento de Aparecida. “Quando o impulso do Espírito impregna e motiva todas as áreas da existência, então também penetra e configura a vocação específica de cada pessoa. Assim se forma e desenvolve a espiritualidade própria de presbíteros, de religiosos e religiosas, de pais de família, de empresários, de catequistas, etc. Cada uma das vocações tem um modo concreto e diferente de viver a espiritualidade, que dá profundidade e entusiasmo para o exercício concreto de suas tarefas. Dessa forma, a vida no Espírito não nos fecha em uma intimidade cômoda e fechada, mas sim nos torna pessoas generosas e criativas, felizes no anúncio e no serviço. Torna-nos comprometidos com os sinais da realidade e capazes de encontrar um profundo significado a tudo o que nos toca fazer pela Igreja e pelo mundo”(DA 285).

Portanto, vivamos com alegria nossa missão e sejamos verdadeiros cristãos impregnados da espiritualidade missionária para que o Reino de Deus aconteça no hoje de nossa vida. Que a Mãe Aparecida interceda por nós para na alegria do Cristo ressuscitado viver com intensidade e coragem a missão a nós confiada.

Que as bênçãos do Deus e a proteção de São José patrono da Igreja, de Santa Teresinha e São Francisco Xavier padroeiros da missão esteja e seja derramada sobre todos os missionários.

06/04/10

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