Era do Eu

Era do Eu

A humanidade, como se sabe, fizera séculos de história, elaborou tratados sobre tudo, céu, terra, ar, fogo, Deus… Outrora, falava-se muito das coisas, dos elementos da natureza, o sol, a água, os seres vivos, enfim… Com a modernidade, a coisa é um pouco diferente: o homem é o centro. Tudo bem, nada contra; aliás, precisamos dar atenção a nós mesmos, enquanto pessoa humana que precisa ser olhada e cuidada. Disso não discordo.

Eu

A era do eu

Porém, nunca se falou tanto do homem, como hoje tem se falado e escrito nas mais diversas culturas. Na verdade, nos faz pensar no “para onde” estamos indo. O egocentrismo está intimamente ligado a este atual padrão comportamental. Tem, e isso é nítido, uma paralela relação entre o interesse cientificista e o capitalismo. O primeiro recebe apoio do segundo e ambos juntos produzem uma cultura diversa. De um lado, o acesso aos mais diversos meios de aperfeiçoamento do ser (se isso pode-se dizer) e, de outro, o centralismo antropológico-cultural. Ou seja, há muito investimento no mundo interior enquanto preocupação em torno de si, pensando simplesmente em gerar uma auto-satisfação plena para o ego.

Daí, a percepção da nítida construção de uma comunicação reveladora do mais profundo gosto por si em detrimento do outro. Amar a si mesmo em excesso, faz tão mal quanto não se amar. Isso vale para os verbos cuidar, preocupar… Mas, deixar que ser assuma um lugar de destaque, o destaque que lhe cabe, não faz mal. Afinal, falar de si mesmo pode ser tanto bom quanto estranho, dependendo da circunstância e do momento. Aliás, o ser quando se propõe a falar de si de modo auto-biográfico, enquanto descrição de si mesmo, e o faz com sinceridade e respeito. Na verdade, podemos enxergá-lo como um exercício enriquecedor para quem carece de reconhecimento.

Na sociedade hodierna está muito presente, como característica peculiar da época, o falar de si. É incrível o quanto a moda do Eu tem sido tão levada à sério pela humanidade recente (de modo particular). Em tudo se instaura este pronome pessoal… dar especial atenção a si mesmo, é próprio da atualidade moderna (ou pós moderna como já denominam no presente). E o pior é que, todos nós, em cena, estamos sujeitos a viver assim. Inconscientemente vamos sendo envolvidos pelos efeitos de tal cultura. Estamos todos no mesmo barco, pensemos nisso: Com o excesso da era do eu, às vezes o próprio Deus se cala em nossa fala… eis um grande perigo!

Pe. Ivanilton,msj

Sobre Pe. Ivanilton,msj

Sou mineiro, natural de Águas Formosas, pequena cidade situada na região nordeste do estado. Desde muito cedo, gosto de trabalhar com minhas próprias mãos. Amo a cultura mineira, gosto do meu povo, das cantigas de roda e das famosas comidas típicas que só se encontram em Minas. Somente aos 18 anos de idade é que saí de casa, entrei para o Seminário do Instituto Missionário São José. Em Aparecida do Taboado, MS, recebi a formação propedêutica. Terminado este período, mudei-me para Taubaté, SP, onde cursei três anos de Filosofia, na UNITAU (Universidade de Taubaté) e, logo após, iniciei o curso de Teologia, pela faculdade Dehoniana. Passados quatro anos de estudos teológicos, fui ordenado Diácono, pelo Instituto Missionário São José, do qual sou membro. Em julho de 2009 fui ordenado Padre e, hoje, exerço o meu ministério na Paróquia Santa Rita de Cássia em Pontalina/GO. Creio que a vida é o dom mais precioso que Deus, gratuitamente nos presenteou. Por isso, carrego em meu coração, o desejo de viver seguindo os pés do Mestre dos mestres, Jesus de Nazaré. O lema que me inspira e ilumina a minha missão é: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham plenamente" (cf.: Jo 10,10b).

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