Arquivos da categoria: Instituto Missionário São José

Informações básicas e novidades

Mês Vocacional

Deus nos chama… Deus nos ama!

Pe. Ivanilton,msj

Nos mais diversos cenários da sociedade, em todos os tempos, a todos os povos, raças e culturas, Deus se revela chamando seus filhos a colaborar no seu plano de salvação. A voz de Deus ecoa em todos os cantos desta terra, fala à humanidade de modo simples e com clareza. Ele se apresenta solidário e próximo: preocupado com a existência de cada filho seu. O chamado não é algo espetaculoso… é proposta simples que exige resposta simples.

Toda vocação nasce a partir de um encontro entre o falar de Deus e o ouvir do homem. Fruto deste encontro é a resposta livre daquele que escuta a voz. Não pode haver outro caminho de seguimento a Cristo senão o do convite de Deus e a resposta humana.

Deus não obriga os seus filhos a ser aquilo que estes não desejam. Claro que se Deus quisesse poderia impor a sua vontade por sobre as razões do homem, porém, Ele não ignora a nossa liberdade. Ao contrário, entra em nossa história, conhece-nos, caminha conosco, bebe de nossa água, ouve o nosso lamento, alimenta-nos para a vida, abre os nossos olhos e ouvidos para ver e escutar com o coração a proposta que tem para cada um de nós. Ou seja, a vocação surge a partir de um encontro, de uma convivência entre nós e Deus.

Interessante que, se analisarmos as experiências vocacionais presentes nos textos bíblicos, veremos o quanto as mesmas estão repletas de sinais de intimidade entre Aquele que chama e aquele que é chamado. Podemos notar que há uma relação afetuosa, por parte dos dois interlocutores, Deus e o homem, no processo de chamamento vocacional. Não são estranhos entre si, tampouco desconhecidos um para com o outro. Talvez, não seja tão visível esta correlação de intimidade entre Aquele e este, pois, muitas vezes compreendemos esta comunhão somente através de gestos conscientes e atitudes objetivas de modo especial por parte do homem – como, por exemplo, no jeito deste expressar sobre o Ser de Deus.

Há pessoas que dizem não possuir qualquer segredo na relação com o Senhor; dizem não possuir relação alguma de maneira direta com Deus e, por isso, repetem incessantemente que nunca ouviram o Senhor falar, nunca presenciaram revelação vocacional espiritual. Claro que, aparentemente ou diretamente isso parece uma tese que soa a mais pura verdade, quanto mais quando a pessoa não se envolve concretamente com situações e compromissos próprios de uma comunidade de fé.

Entretanto, não podemos fechar as experiências de chamado de Deus a um padrão e/ou grupo cultural-comunitário específico. Nenhuma comunidade pode se achar detentora dos ecos da voz de Deus. O Espírito sopra onde quer… assim diz o texto bíblico.

Destarte, Deus nos chama todos os dias para um compromisso, um serviço de amor a Ele na pessoa dos seus filhos. Ninguém está isento deste chamado. Todos são destinatários da revelação vocacional de Deus. Podem até não aceitar o convite, porem, dizer que não escutou o chamado não é uma verdade. Neste sentido, fica-nos uma pergunta: Como estamos ouvindo a voz de Deus? E como estamos respondendo a esta voz?

Enfim, Deus nos chama com voz de pastor. E nós, somos convidados a escutá-lo como boas ovelhas. Somos cuidados por Deus, Ele nos chama para a vida, lava as nossas feridas e nos aquece em tempo frio. Conversa conosco: tanto fala ao nosso ouvido quanto escuta a nossa voz – se torna não somente pastor nosso de cada dia, mas amigo, companheiro e mestre de todas as horas. Nenhuma ovelha é esquecida, todas são chamadas a viver com o Pastor.

No sentido real da vida, homens e mulheres são chamados a assumir não somente o papel e a conduta de discípulos-ovelhas, mas a de missionários-pastores. Todos são chamados a serem zeladores da vida, mestres na arte do cuidado, anunciadores da Boa Nova, comprometidos com o redil comum que é Reino de Deus. Somos chamados todos os dias a ser operários na messe do Senhor. Jesus de Nazaré continua sua caminhada em nosso meio, convidando-nos a segui-lo servindo-o na vida de nossos irmãos e irmãs. Deus nos Chama…

Kleyber – Noviço MSJ

Ser missionário hoje

Não podemos amar somente àqueles que nos fazem viver.

Aqueles que nos querem bem. Mas, temos que ir, além disso,

e buscar também aqueles que não estão pensando como nós,

que não estão caminhando conosco, e quem sabe, até contra nós.

(Hom. Pe Libânio Cicuto,msj. Enc. da missão 18/02/1996. S.Tomé, PR)

Todos nós batizados somos missionários, todos são chamados a ser “sal e luz no mundo” (MT 5, 13s). Pois afirma o Concilio Vaticano II que “a Igreja é por sua natureza missionária” (AG2). Assim cada batizado é chamado a ser missionário. O Documento de Aparecida reafirma esta missão. “Os fiéis leigos são “os cristãos que estão incorporados a Cristo pelo batismo, que formam o povo de Deus e participam das funções de Cristo: sacerdote, profeta e rei. Eles realizam, segundo sua condição, a missão de todo o povo cristão na Igreja e no mundo”. São “homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da Igreja”(DA 209).

O missionário é aquele que anuncia sendo, o que ele é, fala mais do que suas palavras, ele deve ser uma pessoa da escuta da Palavra e da Oração, pois, isto garantir-lhe-á perseverança na missão. O missionário é antes de tudo um mensageiro de Deus, não vai em nome próprio, mas é um instrumento de Deus, fala em nome de Deus. É aquele que está disposto a enfrentar barreiras, a dialogar, a aceitar o diferente, a ouvir não, a colocar-se na escuta do outro, a estar junto do povo “e familiarizem-se com as suas tradições nacionais e religiosas; façam assomar à luz, com alegria e respeito, as sementes do Verbo neles adormecidas; mas atendam, à transformação profunda que se opera entre os povos e trabalhem por que os homens do nosso tempo não dêem tanta importância à ciência e tecnologia do mundo moderno que se alheiem das coisas divinas, mas, antes pelo contrário, despertem para um desejo mais profundo da verdade e da caridade revelada por Deus” (AG 11). Mais que anunciar algo novo o missionário é chamado a ter uma presença diferenciada pelo modo de viver e estar junto ao povo, conhecer a realidade que está inserido e nunca se esquecer que deve anunciar o evangelho a partir da cultura e valores do povo, pois a evangelização se dá pela presença.

A evangelização é livre sem imposição, pois nos lembra o Decreto AD Gentes: “A Igreja proíbe severamente obrigar quem quer que seja a abraçar a fé, ou induzi-lo e atraí-lo com práticas indiscretas, do mesmo modo que reclama com vigor o direito de ninguém ser afastado da fé por meio de vexações iníquas” (AG 13). E uma das principais finalidades da evangelização é criar comunidades de fé, a conversão a Cristo também se da por aquilo que é próprio da cultura de cada povo. Por isso, o missionário deve estar atento para saber dar passos à frente e a voltar atrás quando necessário, conforme a cultura e realidade de cada povo.

Portanto, ser missionário sempre foi um desafio, contudo hoje mais ainda, se antes do Concilio Vaticano II o missionário ia como um desbravador da terra, do povo para onde era enviado, pós Concilio Vaticano II a Igreja muda sua visão e possui hoje ampla visão que é preciso mudar, pois aonde chega o missionário já existe um povo, uma cultura, um jeito de viver que precisa ser respeitado, é a partir da cultura e tradições desse povo que o missionário deve anunciar o Cristo que é o fundamento e a causa da missão.

Que Maria a Mãe do redentor seja para nós modelo de quem da o seu sim incondicional a Deus e possamos nós inspirados no exemplo de São José ser homens do silêncio e da prudência para saber acolher em nosso coração os sinais que o Espírito Santo nos inspira para bem realizar a missão que somos chamados a realizar com fidelidade enquanto missionários de São José de “Ir aonde a Igreja necessitar de nós”.

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19/03: São José

São José

Esposo da Virgem Maria

São JoséDeus escolhe para o serviço aqueles que não possuem nem poder, nem riquezas – ele chama para colaborar em seu plano de amor, pessoas simples e humildes, como o homem de Nazaré, o justo José.

A Igreja celebra no dia 19 de março a solenidade de São José, o esposo da Virgem Maria. Nesta data somos convidados a recordar a vida e a obra desse homem, escolhido por Deus para ser o pai civil de Jesus.

José é pouco citado nas Escrituras, fala-se dele diretamente somente os evangelistas Lucas e Mateus. Nas outras narrativas, José não é citado, nem indiretamente. Daí, surge-nos uma pergunta: Quem é José? Porque se fala tão pouco de um homem tão importante na história da encarnação de Jesus?

José é o esposo da virgem Maria, pai adotivo de Jesus. De origem judaica, nasceu em Belém de Judá, ou seja, na cidade do Rei Davi (1010-970 a.C.). Ele, como todo judeu, passados oito dias de nascimento, foi circuncidado, e se tornou membro do povo de Deus, descendente de Abraão. Este menino recebeu o nome de José, que quer dizer aquele que reúne. José cresceu, foi educado na lei do Senhor, foi aos poucos se tornando homem de caráter, um homem digno de ser apelidado de o Justo.

Então, a Sagrada Escritura diz que José foi um homem justo: “José, seu marido, era justo” (Mt 1,19a).Tão somente com este adjetivo a Bíblia nos apresenta o pai de Jesus. Destarte, se queremos conhecer bem quem foi José, precisamos compreender o significado da palavra Justo. É o que veremos agora.

A palavra justo, no vocabulário hebraico, é dita com o termo tsadiq, o qual na Bíblia é usado para falar do homem justo e que tem muita devoção a Deus e ao sagrado, que guarda os mandamentos e é fiel à lei.

Segundo o Pe. José Artulino Besen (em seu livro “São José, esposo e pai” – publicado pela editora Mundo e Missão, no ano 2000), “de tsadiq provém tsedeq, palavra fundamental na vida dos judeus e que ao mesmo tempo designa a justiça-justeza e a caridade, princípios de vida que conduzem o homem à verdade… – ele conclui dizendo: um rabino da época afirmou que o ‘justo equivale a 60% do Messias’”

Assim sendo, podemos perceber que o pai de Jesus é digno de se chamado de justo, pois, com a sua vida sempre se apresentou como um bom homem, um hebreu ouvinte e praticante da Palavra. Foi com ele que Jesus aprendeu os mandamentos de Deus. A catequese do Messias foi herdada de José e Maria, que carregavam a Toráh na cabeça (memória) e no coração (Dt 6,4-9).

A Igreja reconhece a paternidade de José e Maria como exemplo para as famílias, pois eles foram fiéis à missão recebida de Deus – não somente geraram como também educaram a Jesus para a vida, lhe ensinaram a observar e praticar a vontade de Deus.

José assumiu Maria como esposa e se mostrou responsável, companheiro e pai. Foi perseguido, fugiu para o Egito, para proteger Maria e Jesus, o recém-nascido. Mas, em nenhum momento desistiu. Foi perseverante. Escutou à Deus pela voz do anjo, em sonho recebeu as orientações necessárias para dar segurança para a sua esposa e seu filho. Por isso, é digno de ser chamado de justo.

Portanto, a Igreja reconhece em José, a firmeza da fé, a prudência no agir e a perseverança nos caminhos d’Aquele que o chamou. São José é um pai bondoso e providente, simplesmente porque creu na providência de Deus em todos os momentos de sua vida. Não desesperou, ao contrário, esperou, confiante e esperançoso, na força protetora do Senhor. Ele morreu, segundo alguns estudiosos, quando faltavam dois meses para Jesus completar 25 anos de idade.

O nome de São José foi colocado no Canon da Missa, pelo papa João XXIII. José é admirado por cristãos e não-cristãos. É conhecido como o homem do silêncio, da justiça e da caridade. É patrono da família, dos esposos, dos homens, dos trabalhadores e dos moribundos. Além de ser o patrono da Igreja Universal.

São José, rogai por nós!!!

Pe. Ivanilton, msj