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Sobre Pe. Ivanilton,msj

Sou mineiro, natural de Águas Formosas, pequena cidade situada na região nordeste do estado. Desde muito cedo, gosto de trabalhar com minhas próprias mãos. Amo a cultura mineira, gosto do meu povo, das cantigas de roda e das famosas comidas típicas que só se encontram em Minas. Somente aos 18 anos de idade é que saí de casa, entrei para o Seminário do Instituto Missionário São José. Em Aparecida do Taboado, MS, recebi a formação propedêutica. Terminado este período, mudei-me para Taubaté, SP, onde cursei três anos de Filosofia, na UNITAU (Universidade de Taubaté) e, logo após, iniciei o curso de Teologia, pela faculdade Dehoniana. Passados quatro anos de estudos teológicos, fui ordenado Diácono, pelo Instituto Missionário São José, do qual sou membro. Em julho de 2009 fui ordenado Padre e, hoje, exerço o meu ministério na Paróquia Santa Rita de Cássia em Pontalina/GO. Creio que a vida é o dom mais precioso que Deus, gratuitamente nos presenteou. Por isso, carrego em meu coração, o desejo de viver seguindo os pés do Mestre dos mestres, Jesus de Nazaré. O lema que me inspira e ilumina a minha missão é: "Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham plenamente" (cf.: Jo 10,10b).

Recolher-se aqui é o mesmo que voltar-se para dentro, olhar para dentro de si. O título desta meditação está no plural, não é por acaso. Coloquei no plural porque creio que são muitos os objetos em nossa vida que diariamente precisamos recolher.

Me lembro muito desta palavra nos Retiros Espirituais Inacianos (Metodologia de Retiro espiritual que, por sinal, indico para todos aqueles que buscam espaços e momentos de espiritualidade a partir da experiência do silêncio e da contemplação).

Então, na espiritualidade de Santo Inácio, os padres abordam de uma maneira muito singular o significado de RECOLHIMENTO – É muito interessante a compreensão que têm sobre esta expressão. É um exercício conduzido e direcionado que  a pessoa é levada a fazer num movimento espiritual de fora para dentro.

Repetidas vezes escutamos este conceito nestas casas de retiros. Durante as colocações (que são reflexões dirigidas pelo assessor ou pregador àqueles que estão fazendo o retiro) – nos explicam o poder do recolhimento como caminho de encontro com Deus e também de encontro do ser humano consigo mesmo. É um voltar-se da criatura para o Criador. E ao mesmo tempo um gesto que leva a pessoa à experiência do autoconhecimento. Vale a pena recolher-se nesta perspectiva.

Recordo também esta palavra do meu tempo de infância e adolescência quando a minha mãe me pedia pra recolher a roupa seca do varal por que estava vindo chuva. Recolher ali significava proteger contra a umidade. Depois de exposta ao sol, a roupa seca precisava ser recolhida e guardada até o momento de passar e depois, só depois seria pendurada no cabide dentro do guarda roupas.

Recolher, portanto, é uma palavra bonita que nos remete a dimensão do cuidado… A gente precisa se recolher pra cuidar. Seja cuidar da gente ou de alguma coisa que a gente sente que precisa de um cuidado especial. Trazer de volta pra dentro e dar o retoque necessário. Colher novamente aquilo que deixamos lá fora e que agora precisa de ser olhado, consertado ou mesmo restaurado.

Concluo esta meditação com esta seguinte pergunta: O que é que mais precisamos recolher em nossa vida nesse tempo de quaresma? O que mais necessita de recolhimento e cuidado nesse exato momento de minha história de vida? Como estou? Como estão as minhas lidas, as minhas lutas e o meu ser?

Desejo a você uma abençoada reflexão, que o Senhor te abençoe e guarde!

Mudanças necessárias

Nenhum texto alternativo automático disponível.Gosto muito de refletir sobre o tempo. Acho que tudo começa na linha do tempo. Em algum momento a criação teve um início, um ponto de partida. Aliás, o próprio Deus caminhou na linha do tempo, fez história em nossa história e sacralizou com o seu tempo kairós (tempo de Deus) o nosso tempo chronos (tempo humano).

Creio que muitos problemas só podem ser resolvidos se os deixarmos sozinhos num canto. Não podemos resolver todas as coisas pendentes com a ferramenta da razão ou com o uso de qualquer que seja o instrumento. Algumas coisas se resolvem tão somente com o tempo. O remédio é o tempo. Dar tempo ao tempo significa isso: Deixar a cicatrização acontecer naturalmente, sem pressa. Esquecê-los para que se resolvam. As feridas cicatrizam com o tempo, é só deixar…

Para falar de tempo, falemos de vida. A vida é feita de altos e baixos. E é compreensível isto quando chega o fim do dia, quando acima da linha do horizonte fica ganha aquela cor abóbora. É linda a linha do horizonte no momento final do dia quando o crepúsculo entra em cena no cenário da natureza. Você olha e vê aquela linha traçando o perfil separando a terra do céu. E você vê também o contorno das árvores, das serras, dos montes e chapadas com uma topografia bonita, ondulada, cheia de altos e baixos. É encantador admirar a natureza, ela é bela… Ali naquele breve instante dá prá ver a imensidão do céu (kairós) e o tempo da natureza (chronos) se encontrando. É uma das horas mais admiráveis do dia. Principalmente se a cena for assistida na roça.

Enfim, o anoitecer que é o fim do dia, é como se o tempo chegasse num momento singular de despedida. As horas vão chegando ao fim. É uma metáfora da existência marcada pelos três momentos: começo, meio e fim. A existência tem essa dinâmica própria. Quando o homem aprende a identificar os sinais do tempo ele fica mais sábio. Os sábios entendem bem estes sinais.

Sinais que indicam prosseguimento, projeção futuro. Sinais que revelam pausas e descansos. Férias, feriados e intervalos que a própria vida exige para que o viver aconteça bem. Mas não tem como viver bem sem ter consciência do tempo. Compreender o que o tempo tem pra ensinar. Há mais de dois mil anos Jesus já falava disso, ele orientava as pessoas a lerem os sinais dos tempos pra reconhecerem nele os segredos do viver bem. Lendo os sinais do tempo, o ser humano pode retirar os elementos necessários para a concretização do Reino de Deus e, consequentemente, a realização de si mesmos.

Feliz é quem faz uso destes sinais com sabedoria; Felizes são aqueles que assumem o controle do tempo sem medo de ser felizes. Aliás, decidem e tomam decisões assim justamente porque querem ser felizes. A busca pela felicidade exige discernimento constante. Exige calma, prudência e paciência, pois são mudanças que alteram a rotina, o cotidiano. Por isso, é preciso saber fazer pausas, isso é importante destacar.

Muitas vezes, será preciso, claro, se possível for, assumir as rédias do tempo e alterar o percurso para se chegar ao ponto de realização máxima do ser. São atitudes necessárias mas que causam medo e insegurança, porém necessárias. Para isto, que não falte coragem para mudar o rumo dos passos e até mesmo diminuí-los ou acelerá-los se preciso for. Pois, o tempo passa, e não volta. Ah, voltando ao tema desta reflexão: deixe que o tempo cuide daquilo que somente com o tempo é possível superar, vencer e curar… somente com o tempo é possível cicatrizar.

E não se esquecer que: o tempo não para…

Nada acontece por acaso

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: Tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar…” (Eclesiastes 3,1-2)

De fato, nesta vida há um tempo pra cada coisa. Tempo pra sorrir e pra chorar, pra sonhar e tempo pra realizar… Nesta vida tem sempre um tempo certo pra tudo… Nada acontece por acaso. Tudo tem um sentido, um mistério e uma razão.

Mas, ainda é muito teórico esse provérbio. O ser humano ainda demora muito para compreender este axioma… Ainda tem muita dificuldade em entender esta lógica da existência, pois não sabe como lidar com as demoras do cotidiano. A gente quer tudo num passe de mágica, num estalo de dedos.

Agora, tanto eu quanto você, se quisermos aproveitar melhor cada fração de tempo que ainda nos resta, é necessário somente uma coisa, penso eu: respeitar a cadência do tempo aceitando as suas surpresas e desafios diários como parte da sina que Deus nos concedeu. Disto não podemos fugir, a vida tem destas coisas, como disse o poeta…

Portanto, é preciso aceitar cada momento como dádiva divina e não duvidar dos propósitos de Deus. E pedir os dons de sabedoria e entendimento pra viver cada instante explorando de cada fração de tempo o melhor possível. E ter a certeza de que em tudo as mãos divinas estão presentes, mesmos nos contratempos e nas intempéries diárias… Jamais duvidar dos propósitos de Deus por nós.