Sonhos da minha infância

Sonhar é dom. É uma das mais lindas possibilidades do ser humano.  Somente homem e mulher podem sonhar. Esta capacidade é puro dom de Deus. Sonhar é força motora pra quem está estacionado no tempo.

Pra sustentar o meu texto, vamos procurar aqui no meu Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa a definição que traz da palavra sonhar. Veja o significado que encontrei. Sonhar: Ter sonhos; dormir sonhando; entregar-se a fantasias e devaneios… supor; imaginar; prever. Não é uma má definição, eu gostei. Mas, achei esta definição muito básica. Ao invés do verbo, pesquisemos o substantivo sonho. Aqui no mesmo dicionário diz assim:

Sonho: conjunto de ideias e imagens que se apresentam ao espírito durante o sono; Utopia; ficção; fantasia, visão; aspiração; coisa fútil e transitória; vivo desejo; biscoito de farinha e ovos, frito em azeite ou manteiga e passado depois por calda de açúcar.

Hum, acho que esta última definição é a melhor, principalmente quando define o sonho como um biscoito feito de farinha e ovos. Não sei o porquê, mas comida sempre gera pausas no pensamento. A gente começa a refletir, aparece não sei de onde aquele cheirinho de comida, o pensamento distrai e voa como pássaro… voa longe, volta a infância, à cozinha de casa. É bem isso que estou fazendo agora, pensando na minha mãe fazendo sonhos pra eu e meus irmãos vender na porta da escola. isso aconteceu quando eu tinha uns dez anos. Exatamente, eu comecei a trabalhar muito novo. Aliás, não somente eu, mas todos os meus irmãos iniciamos cedo a luta pela sobrevivência. E os meus pais não tinham receio de preencher o nosso tempo com muito serviço. Ufa!…

Assim que eu saía da escola, mal chegava em casa, comia rapidinho e mãos à obra. Bacia sobre a mesa, pacote de trigo aberto, margarina delicia destampada, lata de oleo aberta e ali começava a fábrica de sonhos… Me emociono de lembrar. Caro leitor, não sei se você acredita, mas estou lacrimejando ao narrar este episódio, de tanta emoção. Sabe porquê? Por que não era simplesmente fazer sonhos por fazer. Era a nossa sobrevivência. Era a aula de culinária, a receita dos sonhos que estava sendo ensinada pra nunca mais nos esquecermos; Era a minha mãe nos ensinando sobre os sonhos a partir da confecção do sonho. Sabe, ali enquanto ela colocava a mão na massa, ensinava-nos os segredos mais bonitos da vida. Segredos que jamais nos esqueceremos. Fazer sonho era alimentar a esperança, de um dia melhorar de vida. Enquanto colocava o bolo de maça na gordura quente na panela, os respingos de óleo quente tocavam a pele e queimava fazendo bolhas que em poucos minutos avermelhavam queimando de dor… Mas a gente não ligava, logo logo passava e mais uma bolinha de massa era lançado na panela quente ao fogo até fritar todos os vinte ou trinta que logo mais eram colocados na bandeja e levados pra vender no recreio da escola, às 15h…  Uma experiência que jamais esquecerei. Pois foi ali que aprendi o que é sonhar sem dinheiro e sem pressa. Na lentidão de um tempo, a façanha pela sobrevivência através do simples gesto de fazer sonho… Ufaaa!

Eu queria falar do sonho numa outra perspectiva, mas fica pra outra oportunidade pois por hoje a saudade não deixou eu ir além das  recordações da minha infância…

Esperar…

É um dos verbos, sobre o qual, eu mais escrevo em meus posts… Esperar é sempre algo sem graça. Experiência insossa, um desafio que inquieta a alma.

Você já passou por uma experiência assim? De esperar, esperar, esperar… Esperou tanto que aos poucos se acostumou com a espera. Então,  se você ja passou por isso, eu não sou o único. Estamos na mesma situação de espera. 

Esperar, pra mim, é uma expressão muito bonita por que a vejo sempre muito próxima de outra, a esperança. Esperança é o que jamais poderá faltar em nosso vocabulário pessoal.

Que jamais nos falte esperança nos tempos fortes de esperas…

Desistir?

Não, não creio ser o melhor caminho, o da desistência. Embora seja evidente o quanto é grande o número dos que desistem.

O melhor mesmo é erguer os olhos pra frente com esperança. Com desejo de vencer, mesmo parecendo impossível. É preciso crer que vai dar tudo certo, e só isso já será o suficiente pra tornar o resultado bem melhor.

Hoje, depois de muitas quedas posso dizer que vale a pena a gente tentar dar o melhor possível da gente. É benéfico fazer o máximo possível ainda que o resultado final não seja satisfatório. Vale a pena desdobrar um pouco mais. É um esforço que não é em vão. Principalmente quando nasce do coração o desejo maior.

Enfim, ganhando ou perdendo, o que importa é que arrisquei o que eu poderia ter arriscado. Valeu a pena dar o melhor de mim. O resultado é o que colho dia pós dia em sorrisos e silêncios. É isso que colho hoje com prazer. E, como canta o grande Roberto Carlos:

Se chorei ou se sorri…

O importante é que emoções eu vivi…