Esperas

Apresentação1Nos dias de hoje, de modo especial, não há espaço para as esperas. Esperar é uma tarefa difícil e inaceitável para boa parte dos humanos. Tudo se faz em fração de segundos. Comandos que damos inconscientemente e modificamos o mundo a nossa volta, acontecem em velocidade sem igual. O mundo está agitado. Sem esperança, sem tempo de espera…

Se pensamos no mundo das relações, seja pessoal ou interpessoal, percebemos que o ser humano não tem muita paciência para consigo mesmo. Veja bem, se vai à Igreja preocupa-se em receber o milagre no seu tempo, de acordo com a sua necessidade e disponibilidade. Não sabe esperar. Na lógica do estômago, seria o “comer cru” por não saber esperar.

Assim está o ser humano, faminto de respostas rápidas, de milagres instantâneos, de lucro imediato. Talvez seja por isso, que não se faz mais comida em fogão à lenha como antigamente… Aliás, ainda existem comunidades que conservam esta tradição, buscam a lenha e preparam o fogo, e a comida demoradamente é preparada e sacia a fome de quem soube esperar. Mas é uma rara exceção. Na verdade, cozinhar em fogão à gás é mais ágil e prático, além de não encarvoar a panela: chama-se Modernidade.

Mas, confesso que não foram poucas as vezes que tive vontade de não ser moderno. Por que ser moderno cansa demais, stressa muito, então, melhor diminuir o ritmo e esperar com mais tranquilidade os resultados do tempo, com suas surpresas e encantos! Saber esperar é um jeito de ter esperança!

Cidadezinha

minas-gerais-mapas-cidades-2Na pequenina cidade tudo é diferente, comparado às grandes cidades. O canto do galo, os passos do gato, as estrelas no céu, o pôr do sol… é diferente por que se nota com mais tranquilidade alguns detalhes que nos grandes centros não conseguimos ver.

Gostoso pão de queijo, famoso arroz doce, delicioso curau de milho, hummm! Como é bom degustar da culinária preparada em fogão a lenha, a tão conhecida fornalha para os goianos. É diferente o sabor, ao paladar até arroz e o feijão ficam mais gostosos na cidadezinha do interior. E na mesa, não somente o sabor, mas o saber viver e conviver com a singeleza do cotidiano é uma experiência sem igual.

A oração mansa da tradicional comunidade rural, cheia de nuances que o tempo marcou. As novenas, os Rosários e as preces cheias de fé que a rezadeira conduz na capelinha ou de casa em casa aos domingos a tarde. Como é bom! Tudo é diferente, até o jeito manso de arar a terra ou tirar o leite a cada manhã.

Morar em região assim, com predominância rural, faz bem aos olhos. E aos ouvidos, afinal, o canto dos pássaros são antiansioliticos assim como o simples pisar na grama é um santo remédio para o corpo inteiro.

Não sei o motivo, mas confesso que amo morar em cidadezinha!

 

O trem

tremEstá passando lentamente, poucos o percebem, o trem chamado tempo.

Ele corre, não para pra nada, ninguém o prende!

Inventaram o relógio, ficou pior, é triste ver o tempo passar segundo pós segundo

Tic tac incansável, que inquieta a alma humana, fere os tímpanos de quem os ouve diariamente.

Mas é assim, somos todos movidos pelo ritmo do tempo, dos relógios da história.

No trabalho, marca a chegada, a saída… falta tempo.

Na família, chega tarde, estão cansados, sem tempo…

Em tudo e em todos o tempo escapole pelas entranhas e escorre por entre os dedos

Dói de saber que a vida inteira é assim e está ficando sempre e cada vez mais difícil dedicar tempo:

Ao amor, ao sorriso, ao olhar e aos abraços. Encontra-se pouco, falta tempo para viver.

Se esbarra por ai, na feira, na rua, na fila do postinho, na porta da escola, nos bares e nas esquinas, isso é triste!

E enquanto isso o trem está andando, uns chegando e outros partindo.

A vida esta assim! Mas pode ser melhor!