Arquivos mensais: março 2010

Campanha da Fraternidade-2010: Ecumênica

ECONOMIA E VIDA:

NÃO PODEIS SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO

CF 2010Todos os anos a Igreja no Brasil, preocupada com a realidade sócio-cultural que o povo experimenta, desenvolve um tema referente à realidade na qual se encontra. O desejo da Igreja é chamar a atenção da sociedade para debater e pensar com maior profundidade as questões que tangem a vida de nossa gente. A defesa da dignidade humana é o pano de fundo das abordagens de cada Campanha.

No ano passado a Igreja abordou a temática da paz: Fraternidade e Segurança Pública: A Paz é fruto da Justiça (Is 32,17). Em 2010 a Campanha da fraternidade é ecumênica e sua reflexão gira em torno da Economia em relação à vida. O Tema é: “Economia e Vida” – e traz como lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro”.

A Campanha deste ano, por ser de caráter ecumênico, algumas Igrejas se comprometeram em dar as mãos nesta exigente e necessária missão. O CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs) é constituído das seguintes Igrejas: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Episcopal Anglicana no Brasil e Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia.

Nos anos 2000 e 2005 a Campanha também foi assumida pelo CONIC, assim como neste ano, porém, com temáticas distintas (CF-2000: Dignidade Humana e paz – Novo Milênio sem exclusões; CF-2005: Solidariedade e Paz – Felizes os que promovem a paz). Entretanto, todas possuem objetivos semelhantes: Favorecer a Vida.

O Conselho das Igrejas Cristãs tem como Objetivo Geral, nesta campanha: “Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão”.

Como podemos perceber, o trabalho em prol de uma sociedade sem exclusão na qual reine a verdadeira paz, é de responsabilidade de todos os homens e mulheres de boa vontade. Isto é, todos somos responsáveis por esta movimentação dinâmica em prol de uma cultura que respeite a dignidade humana, na qual inexista qualquer tipo de desigualdade social.

Portanto, que esta seja uma oportunidade para refletirmos, à luz do Espírito Santo de Deus, a realidade social na qual estamos inseridos, na tentativa de descobrir os mecanismos causadores da desigual repartição dos bens e da transparente exclusão social – para, depois disso, com esperança, promover, sob a luz do Evangelho, uma economia que, de fato, esteja a serviço da vida.

Pe. Ivanilton Ferreira da Silva, msj

Vídeos referentes ao tema:

Campanha da Fraternidade Ecumênica – Vídeo

Hino da Campanha da Fraternidade Ecumênica – 2010


“Lula, o Filho do Brasil” – Construindo Mitos

LULA, O FILHO DO BRASIL

Lula_o_filho_do_brasil_posterInteressante o título deste mais recente lançamento cinematográfico brasileiro: “Lula, o filho do Brasil” – Parece que a sociedade não mais consegue ser criativa diante das situações que experimenta rotineiramente.

A saída é sempre pela tangente. Isto é, não há outro modo mais, aparentemente, belo de solucionar o problema da corrupção no Brasil que não seja o do sensacionalismo político. parece brincadeira. Mas, está acontecendo uma transformação na relação entre a produção cinematográfica e o sistema político vigente. Não sei para onde o povo está sendo conduzido ao ser-lhe apresentado, neste exato momento social, um filme biográfico tão tendencioso e interesseiro.

À cidadania brasileira é oferecido um conjunto de imagens pré-montadas e esquematizadas como tentativa de relaxar o pensamento crítico-político para uma boa aceitação de interesses ideológicos que mais adiante serão apresentados em maior evidência.

Assisti o filme no segundo dia de apresentação. Confesso que o filme não me foi tão extraordinário. Aliás, creio que foi mais um filme destes que pretendem mexer com o emocional das pessoas (principalmente dos menos dotados de senso-crítico). Aparentemente provocante pela ótica da revolução. Todavia, um filme qualquer, por tratar, do começo ao fim, da construção progressiva daquele que mais tarde (no final do filme) é apresentado como herói. Sim, é clarividente esta constatação. Para o povo brasileiro este filme está soando como um anestésico.

Anestesiar as mentes para a realidade e abrir a possibilidade de uma nova caminhada vitoriosa para aquele ou aquela que deseja o poder. Um mito pode conduzir outros à sua altura, pois, poder não lhe falta. Construir mitos para segurar o trono… É bom que pensemos mais nisso. Na verdade, seria bom conhecer o filme biográfico para perceber com os próprios olhos a realidade que está em nossa frente… Não nego as verdades que estão implícitas e explícitas no filme, porém, as não ditas também são importantes tanto quanto as ditas… Não minto, ao ser sincero comigo mesmo – nem omito, o que vejo é um mito em construção…

Pe. Ivanilton Ferreira da Silva, msj

O Essencial …

O importante é o essencial…

Há histórias que fazem pensar por um instante sobre todo o tempo de nossa existência. São contos, historietas, leituras da vida que nos estimulam a olhar a temporalidade de nossa passagem por esta terra.

Vale a pena tomarmos consciência da imprevisibilidade de nosso cotidiano para que o essencial não seja perdido e tampouco esquecido em cada instante que vivemos…

Pensando nisso, achei por bem descrever nesta página uma lenda que nos faça sentir a vida como um conjunto de brevíssimos segundos que precisam ser acolhidos e cultivados com encanto e serenidade…

“Conta uma lenda que certa mulher pobre com uma criança no colo, passando diante de uma caverna escutou uma voz misteriosa que lá dentro lhe dizia: “entre e apanhe tudo o que você desejar, mas não se esqueça do principal. Lembre-se porém, de uma coisa: Depois que você sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal…”

A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental. A voz misteriosa falou novamente: “Você só tem oito minutos”. esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou… Lembrou-se, então, que a criança ficara lá e a porta estava fechada para sempre!!!”

Esta lenda nos mostra o quanto nos passa despercebido, em nosso dia-a-dia, a beleza do instante que temos. Nos perdemos em meio às riquezas e “coisas” que nos cercam. Nos deixamos asfixiar quando, ao invés de colher as belezas desta vida, nos entregamos às promoções desnecessárias e corriqueiras de nosso cotidiano. Enquanto que o mais importante nós nos esquecemos de apanhar. A insensibilidade nos impossibilita de ver a bondade na simplicidade de cada ser.

A própria riqueza da vida passa diante de nós sem que a percebamos, pois estamos com os olhos fitados na obscura busca do menos importante, do secundário. Nos afogamos na imensidão do nada, do vazio, do espetacular, do grandioso e, quem sabe, insignificante que nos cerca. Não deixemos que o nosso olhar se prenda nas armadilhas do supérfluo e do enganador prazer… Fiquemos atentos para que as presas do lobo sedutor, “time is money”, não nos aprisione e impeça-nos de apegar tão somente ao essencial.

Pe. Ivanilton,msj