Assuma-se, sê você

Agradar a todos é simplesmente impossível…

A nossa liberdade está condicionada à nossa identidade humana

O princípio que caracteriza as nossas relações nos ensina que é impossível agradar a todas as pessoas. Somos caracterizados pelo marco da diferença. Não fomos feitos iguais, não saímos da mesma fôrma. Possuímos rosto diferente, falamos, pensamos, comportamos e somos diferentes uns dos outros. Ser agradável a todos é impossível.

As nossas relações interpessoais não conseguirão jamais nos tornar iguais. O princípio da igualdade não se refere de modo algum à uniformização do ser. Isso seria exigir demais de quem nasceu sob o sigma da distinção. Querer uma sociedade uniformizada é assumir postura anti-social.

É clarividente que uma coisa é desejar que todos sejam iguais e outra coisa, totalmente diversa, é querer que o outro seja como eu. Isto é, não é justo manipular o outro segundo o meu modo de ser. Tampouco, que eu seja fantoche na mão do outro: Isso é desumano.

Considerando o grau de importância que o ser do outro possui, o melhor seria que, na relação interpessoal que desenvolvemos, o outro deixasse de ser tratado como gostaríamos. Fazermos todo o possível para que o outro receba a importância que lhe é merecedor, é necessário para que ele seja ele mesmo. Para que ele se assuma como ser humano, que possui responsabilidades e capacidades próprias, o que podemos fazer é ser presença que estimula-o a viver segundo à sua própria identidade humana.

Modelar o outro segundo a minha imagem e semelhança é se apresentar como modelo perfeito de humano. Este é um comportamento que só pode ser atribuído a Deus. Ele, sim, é o Artista Divino, capaz de nos fazer como quer. É diferente. Deus é Deus. Ele pode. Ele É.

Assim sendo, devemos sempre nos perguntar: como olho o outro? Enxergo-o como alguém diferente de mim, constituído de vida própria, inteligência e consciência humana diferentes das minhas, criado à imagem e semelhança de Deus? Tenho consciência que não tenho autoridade alguma de fazê-lo ser como sou? Ou será que já me esqueci disso?

Cada ser possui beleza e sentido próprio de ser...

Observando as nossas relações percebemos que tantas vezes pessoas querem nos instrumentalizar, querem fazer que sejamos obedecentes aos seus caprichos, às suas visões e vontades. Desrespeitamos o outro também quando não consideramos as suas diferenças.

A antropologia nos ensina que a essência que alimenta e enriquece ao ser humano e o amadurece para a vida está presente nas suas relações. Pois, na relação interpessoal o outro cresce e, com o tempo, aparece como manifestação do seu ser, aquilo que lhe é próprio.

Então, deixar o outro ser ele mesmo é possível, quando cultivamos verdadeiras relações, baseadas no cuidado e na empatia. Ajudar ao outro nem sempre consiste em dar-lhe o peixe nas mãos, tampouco incutir em seus ouvidos o que queremos e como o queremos que seja, mas sim, deixando-o livre para ser e manifestar aquilo que é.

Essencialmente a sua individualidade é importante, porém, é óbvio, também, que deixá-lo sofrer sozinho quando podemos ajudá-lo, seria sermos egoístas e insensíveis por demais.

O segredo consiste em sabermos ser presença que humaniza e o liberta dando-lhe a devida liberdade que lhe cabe para viver vida digna de ser humano. Tudo o que fizermos a mais que isso pode correr o risco de atrapalhá-lo em seu processo de amadurecimento humano.

Portanto, que nas nossas relações interpessoais sejamos maduros o suficiente para amar e respeitar o outro como de fato o é, sem querer que o outro seja do jeito que somos. Sem manipulá-lo segundo o nosso bel prazer. Pois, somente cultivando o amor como princípio norteador de nossas relações é que a pessoa do outro crescerá e produzirá frutos de amizade e respeito, identidade e liberdade…

Pe. Ivanilton,msj

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